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Poemas... Um poema de amor, terno e profundo é não só uma surpresa de muito bom gosto, como também um testemunho de sentimentos... A selecção do namorados.biz recaiu sobre a literatura portuguesa. Foram seleccionados os poemas de amor de poetas nacionais, que apesar de o descreverem de forma diferente, reconhecem o seu encanto... "Encanta" tu também... |
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Poemas
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| Prendas Originais | ||||
| Amor é fogo que arde
sem se ver Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luis de Camões |
Transforma-se o
amador na cousa amada Luis de Camões |
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Os versos que te fiz Deixa dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer! São talhados em mármore de Paros Cinzelados por mim pra te oferecer. Têm dolência de veludos caros, São como sedas pálidas a arder... Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos pra te endoidecer! Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda... Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que não diz! Amo-te tanto! E nunca te beijei... E nesse beijo, Amor, que eu te não dei Guardo os versos mais lindos que te fiz! Florbela Espanca |
Teus olhos Olhos do meu Amor! Infantes loiros Que trazem os meus presos, endoidados! Neles deixei, um dia, os meus tesoiros: Meus anéis, minhas rendas, meus brocados. Neles ficaram meus palácios moiros, Meus carros de combate, destroçados, Os meus diamantes, todos os meus oiros Que trouxe d'Além-Mundos ignorados! Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas... Enigmáticas campas medievais... Jardins de Espanha... catedrais eternas... Berço vindo do Céu à minha porta... Ó meu leito de núpcias irreais!... Meu sumptuoso túmulo de morta!... Florbela Espanca
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Partem tão tristes... Senhora, partem tão tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. Tão tristes, tão saudosos, tão doentes da partida, tão cansados, tão chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. Partem tão tristes, os tristes, tão fora de esperar bem que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral |
Este Inferno de Amar Este Inferno de Amar Este inferno de amar - como eu amo!- Quem mo pôs n'alma... quem foi? Esta cham que alenta e consome, Que é a vida - e que a vida destrói- Como é que se veio a atear, Quando - ai quando se há de ela apagar? Eu não sei, não me lembra: o passado, A outra vida que dantes vivi Era um sonh talvez... - foi um sonho - Em que paz tão seran a dromi! Oh! que doce era aquele sonhar... Quem me veio, ai de mim! desperatar? Só me lembra que um dia formoso Eu passei... dava o Sol tanta luz! E os meus olhos, que vagos giravam, Em seus olhos ardentes os pus. Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei; Mas nessa hora a viver comecei... Almeida Garret |
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